Ulramaratona de 100 km do frio

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Neste último sábado, 1º de agosto, foi realizada a quarta edição da Ultramaratona do frio, que é idealizada e produzida pela Acorja e que, neste ano, teve o percurso de Garanhuns a Caruaru. 11035692_1026372827394814_5788697297838494727_o Em março deste ano, participei da minha primeira ultramaratona, foram 50 km pela Chapada do Araripe. Em junho, participei da minha quarta maratona, a Maratona de Porto Alegre, e, com apenas 1 mês e meio depois, participei da minha segunda ultra e foi logo de 100 km! Eu já vinha “namorando” essa prova há alguns meses, mas a decisão foi tomada nos últimos dias da inscrição, que foi no começo de julho. Devo confessar que no ato da inscrição a barriga gelou. :)

Bem, apesar do tempo curto, desde o início do ano eu vinha treinando forte e fazendo bons volumes de quilometragem. Esse tipo de prova não exige apenas muito preparo físico, mas também mental. É preciso estar bastante decidido e saber que, em algum momento da prova, o corpo vai dizer que não aguenta mais e a mente vai dizer para você parar, mas vai ser necessário continuar, porque a frustração de não concluir será enorme. 11823973_962691160448043_1315940493_n (1) Para me manter motivado, além de levar minha esposa e filha, comprei, ainda no Recife, um presente que minha filha queria bastante e outro que sabia que minha esposa adoraria. Mas me comprometi comigo mesmo que eu só entregaria os presente lá na chegada; que eu levaria comigo e entregaria em mãos, porque sabia que elas estariam lá me esperando. Minutos antes da largada, o grande mestre Almir veio até mim e disse: “Burgos, você vai sentir algo que nunca sentiu na vida. Vai sentir dor, cansaço, fraqueza, solidão… mas não desista! Termine a prova. Você está preparado!”. IMG_7070 Confesso que isso me assustou um pouco, apesar de saber que em algum momento a dificuldade seria grande, ouvir isso foi um pouco assustador e motivador. Eu estava decidido. Queria terminar a prova. Às 4 horas da madrugada foi dada a largada. O clima era mais ou menos de 16 graus e caia uma garoa gostosa. Muitos estavam tremendo de frio e eu tranquilo. :) 11825836_1028221947209902_6047446109854737541_n Durante os primeiros 15 km eu segui com um certo desconforto na panturrilha direita. Ele já vinha me incomodando, mas tinha sumido uma semana antes da prova. Mesmo assim continuei tranquilo, no meu ritmo planejado e me sentindo muito bem física e psicologicamente.

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Por volta das 5h30, o dia começou a clarear e uma coisa engraçada aconteceu. Não lembro qual foi o município, só lembro que estava passando pela estrada principal de uma pequena cidade e uma mulher logo a minha frente estava rindo. Ela queria atravessar a pista e me esperou chegar perto para dizer: “O rapaz ali na frente perguntou se Caruaru fica pra lá (apontando para eu sentido que estávamos correndo). Fica sim, mas é muito longe!”. Eu continuei rindo. :) Conclui os primeiros 42 km em 3 horas e 57 minutos. Na maior parte do tempo, chovia ou garoava. Eu continuava muito bem física e psicologicamente, apesar das muitas subidas e descidas.

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Por volta do quilometro 60, encontrei Allan, um colega que já não estava tão bem. Ele me disse que estava sentindo muito cansaço e um pouco de mal-estar, além de estar sem apoio algum. Bem, em poucos segundos pensei muita coisa. Principalmente na frustração dele caso não conseguisse concluir a prova e ali decidi que a gente seguiria junto até o pórtico da chegada.

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Mais ou menos no quilometro 70, meu apoio estava nos esperando a cada 2 km, e toda vez que chegávamos lá a gente parava para nos alimentarmos ou apenas pegar um copo de água e seguíamos. Por cerca de quatro vezes ele deitou no asfalto para esticar as pernas e tentar conseguir energia de algum lugar. Durante essas paradas, eu tentava nos motivar de alguma forma. E toda vezes que eu perguntava se ele estava bem ele sempre dizia que sim, apesar de eu saber que não.

Depois do km 75, a gente começou a economizar energia nas subidas, então íamos caminhando; e nas descidas e planos a gente corria. A nossa contagem sempre era na distância que faltava e quando quando ficou faltando menos de 10 km para chegarmos nossos ânimos melhoraram, as forças sumiram e a quantidade de subidas aumentou.

Quando chegamos na placa que indicava que faltava apenas 1 km para chegarmos, peguei a mochila que tinha os presentes e coloquei. Olhei para Allan e disse que já tínhamos chegado, apertei a sua mão e seguimos. Poucos metros depois começamos a escutar a música que estava tocando na chegada. A emoção já tomava conta mim. Quando faltava cerca de 100 metros, Cynthia e Júlia vieram até mim e seguimos correndo juntos. Eu já estava quase chorando. :)

Allan parou na frente do pórtico da chegada e pediu que eu passasse primeiro. Eu abracei e tentei puxá-lo para seguirmos juntos, mas ele insistiu que eu chegasse primeiro. Dei uns 3 passos e o esperei chegar para abraçá-lo novamente. 11 horas, 30 minutos e 33 segundos foi o meu tempo oficial. E quase no mesmo tempo Cynthia e Júlia cruzaram o pórtico. As abracei, beijei e disse que tinha uma surpresa para cada uma. Quando entreguei seus presentes e vi seus sorrisos, vi que minha missão foi cumprida que a jornada foi concluída com êxito.

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A experiência foi incrivelmente inesquecível. Foi difícil, doloroso, mas muito satisfatório. Prova muito bem organizada e com os participantes transbordando alegria e cumplicidade. Uma coisa eu tenho certeza. Sem o apoio e a presença de Cynthia e Júlia eu jamais teria conseguido. Amo demais vocês duas. Obrigado! <3 <3

Garmin: https://connect.garmin.com/modern/activity/853035547

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